terça-feira, 1 de julho de 2014

Nuvens de tempestade



Nuvens de tempestade que correm céus
Que numa viagem de desaparecimento
Percorrem quilómetros, milhas, léguas
Num percorrer sem desalento

São o algodão da imensa altitude
Por onde se perde a vista ao terrestre
Sendo que sua desintegração em liquido
Faz em vida florir e crescer o silvestre

São as nuvens mais brancas os cinzentas
São as nuvens, maiores ou as fugazes
Sãs as nuvens mais belas, as mais frias
Que me levam a imaginar pinturas celestes
De azul tela e branca coloração

São essas, nuvens de sentido seguir
Que fazem chover sobre mim as gotas
Que lavam meu rosto e meu corpo
Limpando os males da alma e do ser
Num sentido pleno de comunhão.

H.N

domingo, 29 de junho de 2014

Desamor

Ninguém morre de desamor
Por mais que nos arranque a alma
Por mais que a dor seja acutilante
E torne em cinzas a calma
Numa forma de estar dilacerante

Dói tanto, dói por tempos
Mas passa, tudo passa neste caminho
Que seguimos entre desencontros
E a cada batalha perdida, conhecimento
A cada dor, mais sabedoria adquirida

As recordações dos desamores pesam
O abandono é maior e mais sentido
Mas não é eterno, não pode ser
Não podemos assim nos deixar perder
Por um nada que muito quis ser
E nem chegou a florescer

Muitas perguntas ficam por responder
Muitas coisas por dizer, calamos
Porquê? Nem sei bem!
Mas seguir em frente é caminho
E não estarás assim tão sozinho
Encontrando sempre alguém


O abandono não é forma de viver
Só podes levantar e sacudir o pó
E preparar-se para errar novamente
Pois só quem está preparada para errar
Consegue de novo amar
E entregar-se plenamente

Entre as sombras lutarás pelo sol
E amarás uma e outra vez
Não há que ter medo ao amor
Mas sim à tristeza e desolação
Que invade em negrura o coração
De quem se fecha em rancor

Entrega quantas vezes for preciso
E a recompensa será recebida
Pois só em pleno quem não se nega a amar
Enquanto caminha por esta vida.

H.N


sábado, 28 de junho de 2014

Tormenta


A tormenta que em ventos e chuva
Embala a incerteza e a desolação
Nunca abandona por completo
A voz de quem desgarra a alma
Expondo seu sentido completo
Numa perfumada sentença

Assim é a lonjura de estar aqui
Assim é a tempestade em mar agreste
Que afronto a dor por fim
Espalhando pelo mundo a peste

Uma peste de dor física
Mas que apodrece a alma e o sentir
Uma crua sensação de estar em frio
Uma avultosa persistência de viver
Que já não tem nome de chamar
Nem migalhas de prazer

E assim chovem cântaros de abandono
Numa cair de penhasco profundo
Enquanto te invade o incapaz sono
Neste letárgico e entorpecido mundo 

H.N

domingo, 8 de junho de 2014

De Volta


Ola caros amigos, após um tempo sem publicar cá estarei de novo. Espero que gostem e acompanhem estes segredos. :)

Castanho


Sou feito de mar e vento
De poesia e sentimento
Da salgada areia deste mar
Da claridade que emana o luar
Sou pluma que cai do céu
Sou como a neblina um véu
De um corpo de tempestade
Entre gotas de irrealidade
Que correm do rio até à foz
Para desfazer-se em voz
Que me chama lentamente
E me fala qual demente
De histórias que não sei
De algo que nem aceitei
Mas assim sou eu em lume
Que arde até ao cume
E à noite encontro inspiração
Que qual crente religião
Enche meu ser de esperança
E de artes da velha herança
E em força continuo a olhar
Com olhos de horizonte e mar
Tudo o que está à minha volta
Sem sentido ingrato de revolta
E sinto que enconro a comunhão
Desfulhando flores na imensidão
Sentado no alto do monte
Enquanto os pássaros bebem na fonte
E continuo neste meu sentido estranho
De viver neste mundo castanho.

H.N 


domingo, 4 de maio de 2014

Dia da mãe


Mãe há só uma
A que sofreu as dores
Do nosso nascimento
Entre medos e temores
Recebeu nos braços
Sua obra e criação
Na mais perfeita sintonia
Coração com coração
Numa beleza perfeita
Numa união tão imensa
Que poucos conseguem quebrar
Numa compreensão propensa
A ensinar o melhor conhecimento
Numa sabedoria inalcançável
Que muitas vezes é incompreendida
Pela juventude inabalável
Mas sempre está aí
À nossa escuta e conforto
Braços aberto no profundo
De águas claras, esse porto
O tempo passa por ela
Cada dia mais bela e preocupada
Entre as rugas que lhe cobrem o rosto
São as marcas da debandada
Que foi uma vida de trabalho
Uma vida dedicada aos seus
Força de uma alma poderosa
Por quem eu reso a Deus
Na incansável guerreira
Essa mãe não tem igual
Ergue mundos em seu ventre
Com a força imperial
Mãe é nome de eternidade
Mãe é exemplo para mim
Mãe é força e amparo
Mãe é a presença sem fim.

 H.N


sábado, 3 de maio de 2014

Sentir, amar e viver


Ser ou não ser
Eis a questão
Escrita pelo poeta
Cravado no coração
Sentir, amar e viver
É um rumo provável
De um amanhecer
Neste mundo louvável
No riso das montanhas
No suspiro dos mares
Eu encontro meu futuro
Prontidão aos teus pés
Preferia sentir a força
A que me arranca da perdição
Num palpitar tão perdido
Que se sente na escuridão
Sinto no valor da ternura
O vazio do teu abraço
E por guerra da bravura
No perfume do teu regaço
A fresca tinta azul
Que colora o meu céu
Faz parecer que a verdade
Se ergue em apogeu
Na profanação da beleza
Que é perpétua e imaculada
A tua esbelta silhueta
Perdida de tão cobiçada
Se a qualquer hora
Deixam de me ouvir
Será porque a tempestade
Não me ouviu pedir
Entre a frescura da tarde
E sol da nova aurora
Num grito que me afasta
No sopro que implora
Tornar a ver-te por aqui
Entre a penumbra e a claridade
Sentindo que sem ti
Se acaba a liberdade
Só a liberdade partilhada
Permitiu viver em pleno
Num mar de bem melhor
Num presente mais sereno
E na rocha deixei cravado
Em palavras sem nexo
O que me está a bater
No profundo convexo
A variedade de sentir
Entre corpo e espírito
Podendo assim abrir
O que carrego aflito
Libertando-me agora
Escrevendo-me em ti
E poder lutar com garra
Para sentir que assim vivo!


 H.N