quinta-feira, 10 de julho de 2014

Imensidão heterogenia


Para que homogeneizar a diversidade?
Para que padronizar o infinito
Num sentido inumano e aflito
De entorpecer a realidade.

Para quê tanta falta de amor?
Para quê tanto julgamento indiscriminado
É assim que te sentes amado?
Ou apenas te satisfaz a desgraça e a dor

Porque não procurar a felicidade plena?
Em vez de julgar a vida alheia
Não deixes esvaziar teu relógio de areia
Torna-te no vento uma pena

Tenta encontrar o melhor de ti
Tenta saber quem és, que queres
E segue pela luz para não perderes
Mas senão quiseres fica aqui

Pois tantos já se perderam na infeliz ideia
De culpar o mundo e a gente da sua tristeza
Sem se perceberem que eles eram a pobreza
Que a imensidão heterogenia e vasta odeia.

H.N

quarta-feira, 9 de julho de 2014

És uma chata!


És uma chata, sei que sim
Falas, resmungas e praguejas
Mas sei que sem mim não vives
E a minha companhia desejas

Sei que sou chato, pois sou
Estou sempre a contrariar
Mas é a maneira de te dizer
Estarei sempre aqui a acompanhar

Somos dois chatos, dois falantes
Somos tão loucos na nossa razão
Somos completos na plenitude
Plenos de alma e coração

Somos crianças tantas vezes
Mas na seriedade somos fundamento
Rimos de nós, das nossas tolices
Mantemos levantado nosso alento

Pode parecer tudo tolice
Podem pensar que estamos loucos
Mas todos sabem em certeza
Que como nós existem poucos.

H.N

terça-feira, 8 de julho de 2014

Sonho de volta


Inclinado a tua beira
Dou por mim a pensar
Na vida de outra maneira
E começo logo a sonhar

Teu perfume me leva longe
Onde nunca foi, mas sei
Que se lá tivesse ido
Saberiam que não amei

Foi ao mar mais bravio
Em navios de madeira e sal
E em porto de obscuridade sombria
Encontrei as águas de Portugal

No teu toque foi mais longe
Vi um mundo tão quadrado
E percebi que nesse mundo
Não estarias ao meu lado

Então voltei a mim
Para aproveitar a presença
Colocado assim um fim
A um sonho já sem crença.

H.N


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sentido descritivo de amar

Numa noite a meia-luz
Penso em ti, penso em nos
E a saudade faz-se maior
E entre o sentido de ti
Compreendo a importância do que sinto
E assim tudo parece fluir
Pois o amor é intensidade
E a paixão é um incêndio
E numa junção perfeita
Estão os teus olhos brilhantes
Que são jóias do meu sentido
Tochas que iluminam a escuridão
Que se desvai e não retorna
Esse que já viveu em mim
Esse que já foi meu viver
Mas agora estas aqui
Para tocar minha mão
E inundar de certezas os sentidos
Teu perfume é o guia
Em aroma dançante
Que me faz viajar ao sabor
E faz percorrer teu corpo
Sem nem sequer o tocar
Para perder-me em respirações
Que movimentam meu corpo
Que me fazem mais teu
E assim amar-te para sempre
Neste sentido descritivo.

H.N

domingo, 6 de julho de 2014

Acção e erro

A tanta certeza tão incerta
Tanto erro que é o certo
Num mundo sem regras
Que ainda não foi descoberto

A tanta acção tão válida 
Unicamente pela sua intenção
Que não gera um real valor
Mas que ao mundo trás mas calor
Numa sentida e persistente canção

A tanta porta que se fecha
Para que as janelas se abram em flor
A tanto dar que trás alegria
Numa procura da entropia
Sem mágoa nem rancor

A vida tem destas coisas
Numa incompreensível compreensão
Onde tudo dá cada volta
Numa tumultuosa acção
Que faz esquecer revolta
Que nos enegrece o coração.

H.N



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Bordar vida


A vida é um bordar detalhado
Cada ponto, uma acção
Que vai completando a teia
Num emaranhado de acontecimentos
Que são a toalha do coração
Entre decorados sentimentos

Cada ponto mal dado, um erro
Cada desfazer, uma experiência
Cada picada, uma dor latente
Que faz a vida ter coerência
Num seguimento contínuo e presente

Ponto trás ponto é bordado
A sorte da gente, seu caminho
Por onde nem sempre vás sozinho
Mas quem borda essa toalha és tu
E nada pode alterar os pontos que dás

Um bordar que nunca para
Um trabalho sem fim marcado
Muitos bordados se encontraram na vida
Por isso não te sintas abandonado
Pois nunca ninguém borda sozinho
Sua toalha de emaranhadas histórias.

H.N




terça-feira, 1 de julho de 2014

Nuvens de tempestade



Nuvens de tempestade que correm céus
Que numa viagem de desaparecimento
Percorrem quilómetros, milhas, léguas
Num percorrer sem desalento

São o algodão da imensa altitude
Por onde se perde a vista ao terrestre
Sendo que sua desintegração em liquido
Faz em vida florir e crescer o silvestre

São as nuvens mais brancas os cinzentas
São as nuvens, maiores ou as fugazes
Sãs as nuvens mais belas, as mais frias
Que me levam a imaginar pinturas celestes
De azul tela e branca coloração

São essas, nuvens de sentido seguir
Que fazem chover sobre mim as gotas
Que lavam meu rosto e meu corpo
Limpando os males da alma e do ser
Num sentido pleno de comunhão.

H.N