domingo, 6 de julho de 2014

Acção e erro

A tanta certeza tão incerta
Tanto erro que é o certo
Num mundo sem regras
Que ainda não foi descoberto

A tanta acção tão válida 
Unicamente pela sua intenção
Que não gera um real valor
Mas que ao mundo trás mas calor
Numa sentida e persistente canção

A tanta porta que se fecha
Para que as janelas se abram em flor
A tanto dar que trás alegria
Numa procura da entropia
Sem mágoa nem rancor

A vida tem destas coisas
Numa incompreensível compreensão
Onde tudo dá cada volta
Numa tumultuosa acção
Que faz esquecer revolta
Que nos enegrece o coração.

H.N



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Bordar vida


A vida é um bordar detalhado
Cada ponto, uma acção
Que vai completando a teia
Num emaranhado de acontecimentos
Que são a toalha do coração
Entre decorados sentimentos

Cada ponto mal dado, um erro
Cada desfazer, uma experiência
Cada picada, uma dor latente
Que faz a vida ter coerência
Num seguimento contínuo e presente

Ponto trás ponto é bordado
A sorte da gente, seu caminho
Por onde nem sempre vás sozinho
Mas quem borda essa toalha és tu
E nada pode alterar os pontos que dás

Um bordar que nunca para
Um trabalho sem fim marcado
Muitos bordados se encontraram na vida
Por isso não te sintas abandonado
Pois nunca ninguém borda sozinho
Sua toalha de emaranhadas histórias.

H.N




terça-feira, 1 de julho de 2014

Nuvens de tempestade



Nuvens de tempestade que correm céus
Que numa viagem de desaparecimento
Percorrem quilómetros, milhas, léguas
Num percorrer sem desalento

São o algodão da imensa altitude
Por onde se perde a vista ao terrestre
Sendo que sua desintegração em liquido
Faz em vida florir e crescer o silvestre

São as nuvens mais brancas os cinzentas
São as nuvens, maiores ou as fugazes
Sãs as nuvens mais belas, as mais frias
Que me levam a imaginar pinturas celestes
De azul tela e branca coloração

São essas, nuvens de sentido seguir
Que fazem chover sobre mim as gotas
Que lavam meu rosto e meu corpo
Limpando os males da alma e do ser
Num sentido pleno de comunhão.

H.N

domingo, 29 de junho de 2014

Desamor

Ninguém morre de desamor
Por mais que nos arranque a alma
Por mais que a dor seja acutilante
E torne em cinzas a calma
Numa forma de estar dilacerante

Dói tanto, dói por tempos
Mas passa, tudo passa neste caminho
Que seguimos entre desencontros
E a cada batalha perdida, conhecimento
A cada dor, mais sabedoria adquirida

As recordações dos desamores pesam
O abandono é maior e mais sentido
Mas não é eterno, não pode ser
Não podemos assim nos deixar perder
Por um nada que muito quis ser
E nem chegou a florescer

Muitas perguntas ficam por responder
Muitas coisas por dizer, calamos
Porquê? Nem sei bem!
Mas seguir em frente é caminho
E não estarás assim tão sozinho
Encontrando sempre alguém


O abandono não é forma de viver
Só podes levantar e sacudir o pó
E preparar-se para errar novamente
Pois só quem está preparada para errar
Consegue de novo amar
E entregar-se plenamente

Entre as sombras lutarás pelo sol
E amarás uma e outra vez
Não há que ter medo ao amor
Mas sim à tristeza e desolação
Que invade em negrura o coração
De quem se fecha em rancor

Entrega quantas vezes for preciso
E a recompensa será recebida
Pois só em pleno quem não se nega a amar
Enquanto caminha por esta vida.

H.N


sábado, 28 de junho de 2014

Tormenta


A tormenta que em ventos e chuva
Embala a incerteza e a desolação
Nunca abandona por completo
A voz de quem desgarra a alma
Expondo seu sentido completo
Numa perfumada sentença

Assim é a lonjura de estar aqui
Assim é a tempestade em mar agreste
Que afronto a dor por fim
Espalhando pelo mundo a peste

Uma peste de dor física
Mas que apodrece a alma e o sentir
Uma crua sensação de estar em frio
Uma avultosa persistência de viver
Que já não tem nome de chamar
Nem migalhas de prazer

E assim chovem cântaros de abandono
Numa cair de penhasco profundo
Enquanto te invade o incapaz sono
Neste letárgico e entorpecido mundo 

H.N

domingo, 8 de junho de 2014

De Volta


Ola caros amigos, após um tempo sem publicar cá estarei de novo. Espero que gostem e acompanhem estes segredos. :)

Castanho


Sou feito de mar e vento
De poesia e sentimento
Da salgada areia deste mar
Da claridade que emana o luar
Sou pluma que cai do céu
Sou como a neblina um véu
De um corpo de tempestade
Entre gotas de irrealidade
Que correm do rio até à foz
Para desfazer-se em voz
Que me chama lentamente
E me fala qual demente
De histórias que não sei
De algo que nem aceitei
Mas assim sou eu em lume
Que arde até ao cume
E à noite encontro inspiração
Que qual crente religião
Enche meu ser de esperança
E de artes da velha herança
E em força continuo a olhar
Com olhos de horizonte e mar
Tudo o que está à minha volta
Sem sentido ingrato de revolta
E sinto que enconro a comunhão
Desfulhando flores na imensidão
Sentado no alto do monte
Enquanto os pássaros bebem na fonte
E continuo neste meu sentido estranho
De viver neste mundo castanho.

H.N