quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Perguntei por ti



Perguntei ao rio nascente por ti
Mas não respondeu, silêncio
Perguntei as pedras do chão
Se teus passos elas sentiram
Mas calaram novamente

Perguntei ao norte se é guia
Dos teus passos que te levam
Para longe, cada noite, cada dia
E que me afastam e negam

Cansei de perguntar por todo lado
Não me falam de ti, nem de nada
Só o silêncio ficou, só silêncio
Entre farrapos que os levam o vento
E nem um sinal de ti

Mas o vento que aparece de repente
Sussurra algo, murmura ao meu ouvido
Trazendo teu perfume no seu ventre
Mostrando-me que não estás perdido

Já tenho notícias de ti, sei onde vás
E te encontrarei pelo caminho
Para te mostrar que sou capaz
De transformar o medo em carinho.

H.N.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ela



Ela, que se move entre as sombras
Com seu andar leve sem sonoridade
A meia-luz seu semblante é secreto
E ninguém sabe quem ela é na verdade

É mistério sua forma de viver
Vestida de negro e cetim bordado
Cada dimensão da sua voz é passada
Num sentido de harmonia e saber

Seu cantar enquanto sentada espera o futuro
Embala a vontade de dançar em plena rua
E seu olhar profundo de mistério envolvido
Faz que com inveja esteja a mesma lua

Suas mãos pálidas e finas, de suavidade intensa
Seu sorriso rápido e subtil mostra-se sereno
Entre seu caminho tudo parece pequeno
Impedi-la de continuar é grande ofensa

Ela será obra de uma imaginação, de um sonho
Ou será a realidade da personificação angelical
Enquanto desaparece pode sentir-se o medo
De não voltar a sentir sua capacidade musical.


H.N.

domingo, 26 de outubro de 2014

Ambição



Ambição, faca de dois gumes
A poção que te mata lentamente
Ao combustível que impulsiona a criatividade
Num equilíbrio improvável e demente

Semente que cresce na alma
E alimenta ideias e objectivos
Mantendo na linha recta do final
Mantendo-nos plenamente vivos

Mas no descontrolo pode encontrar
Solo fértil para criar maldade
Sem limites nem regras que a limitem
Pode transformar em falso a verdade

Sem saber podemos cair
Na lama escura e sombria
Que usa qualquer meio para os fins
Sem seguir qualquer crença ou ideologia

Por isso controlar a ambição
É um objectivo primário a ter
Para poder usar sua força
Sem nela mesmo se perder.


H.N.

domingo, 14 de setembro de 2014

Sou

Sou insano, sou profano, talvez louco
Sou descrente, sou ausente na lonjura
Podendo ser o bem para amar alguém 
Sem temer em medos a desventura 

Não sou quem poderia ser
Não sou quem querem que seja
Não quem esta terra deseja
Mas sim o que ela precisa de ter

Não obedeço a regras, não sou comum
Não aceito rótulos nem modelos
Tento ser o equilíbrio, linha cinzenta
Extremos, não quero conhecê-los 

Entre o branco e o preto
Ao meio se esconde a virtude
Tentando evitar os males de quem se ilude
E não se apegando ao sentido obsoleto

Não quero ser mais um no mundo
Não quero ser a desigualdade 
Quero ter meu próprio brilho
Quero apenas ser eu na verdade.

H.N



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Amor sem dimensão


Amor, meu amor, nem a lonjura
Fará que desmereça este incêndio
Que me mantém em movimento
E faz que sempre chegue a ti

Amor, meu sentido querer
No seu poder sem dimensão
Qual relâmpago que cai
E desperta de novo o coração

És sorriso em meu rosto
És aconchego e porto seguro
Onde deixo cair meus medos
Onde posso chorar meus erros

Sentido amplo e compartilhado
Que não teme a lonjura
É banhado de companheirismo
E pitadas de leveza em loucura

Tão intenso, tão nosso
Quando os olhares se tocam
E revelas a luz ao mundo
Dando a conhecer nosso real amor.

H.N

domingo, 27 de julho de 2014

Sou e não sou!


Sou insano, sou profano, talvez louco
Sou descrente, sou ausente na lonjura
Podendo ser o bem para amar alguém 
Sem temer em medos a desventura 

Não sou quem poderia ser
Não sou quem querem que seja
Não quem esta terra deseja
Mas sim o que ela precisa de ter

Não obedeço a regras, não sou comum
Não aceito rótulos nem modelos
Tento ser o equilíbrio, linha cinzenta
Extremos não quero conhecê-los 

Entre o branco e o preto
Ao meio se esconde a virtude
Tentando evitar os males de quem se ilude
E não se apegando ao sentido obsoleto

Não quero ser mais um no mundo
Não quero ser a desigualdade 
Quero ter meu próprio brilho
Quero apenas ser eu na verdade

H.N

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Bombas!!


Bombas caem vinda do nada
Os gritos, a dor chamam a morte
Caem corpos dilacerados sem alma
Nada já se sente no horror da madrugada
E cada som é mais presente e forte
Já nem sabem onde encontrar a alma

Cada som, tanto medo de estar
Em cada movimento um presságio do fim
Não importa idade nem crença presente
Entre os passos que teimam em se calar
Na sentença cruel de estar assim
Sem saber o que se pensa ou se sente

Cada morte, uma maldição
Cada corpo caído, tristeza e amargura
Rostos desconhecidos espalhados pelo chão
Penteiam as teias longas da loucura
Maldade pura sem alma nem coração

Outros dilacerados, mutilados fisicamente
Pensam se é sorte ou verdadeiro azar
A sobrevivência incompleta e inocente 
Num sentido de final de naufragar
Sem vontades de seguir em frente

Estes são os vestígios da guerra
Morte ou horrenda sobrevivência
Mutilação, desolação e abandono
Tudo isto numa arma se encerra
Não é tecnologia ou avançada ciência
É maldade pura com rosto e com dono.

H.N