segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Desafio: Complete o poema

Desafio é uma nova temática deste blog, aqui desafio os meus leitores a completarem o poema apresentado. Espero que participem!


Se a minha alma fosse luz
Que penetra-se pela ______
Eu percorreria teu olhar
Como uma estreita _______
Se meu coração fosse motor
Que move-se o teu _______
Eu viveria tão feliz
Nunca iria eu ________
Se esta força de lutar
Fosse vitória nessa _______
Eu seria rei do teu amor
E percorreria toda ______ 

Grandes obras de poesia cantadas: Caravelas


Cheguei a meio da vida já cansada 
De tanto caminhar! Já me perdi! 
Dum estranho país que nunca vi 
Sou neste mundo imenso a exilada. 

Tanto tenho aprendido e não sei nada. 
E as torres de marfim que construí 
Em trágica loucura as destruí 
Por minhas próprias mãos de malfadada! 

Se eu sempre fui assim este Mar-Morto, 
Mar sem marés, sem vagas e sem porto 
Onde velas de sonhos se rasgaram. 

Caravelas doiradas a bailar... 
Ai, quem me dera as que eu deitei ao Mar! 
As que eu lancei à vida, e não voltaram!... 

Florbela Espanca 

Verdes



Verdes, são verdes os prados
Onde caminham descalços e sozinhos
Verdes tão verdes, seus escravos
Que se propagam em campos vizinhos
Neste verde, tão verde imaginação
Vejo que as flores se destacam
Num pintar de cor a imensidão
Novas geometrias se demarcam
E sempre uns castanhos lá perdidos
Troncos, galhos e verdes fugidios
Que mostram a natureza de tanta cor
Obedecendo sempre aos desafios
Imposto pelas formas de vida
Que dependem da sua cor
Tentando dar a um todo
Um pouco mais de sabor
São verdes, verdes olhos
Os meus, que iluminam meu rosto
E castanhos são alguns olhos
Que me levaram ao desgosto
Até no mar o verde está
Em algas e peixes esverdeados 
A uns verdes especiais
Existem outros mais desleixados
E de verde tudo se encheu
De um mar de verde tom
Até um céu de verde voar
Até a terra de verde som.

H.N

Novo Deus


Um novo Deus se ergue
Da penumbra da madrugada
Para falar de ti
Para falar da tua beleza
Ele que em força faz dia
E acende o sol com o seu calor
Mostra-me quão bela está 
A tua figura esculpida
Ele que se levanta do escuro
Faz do vulcão sua casa
Mostrou o palpitar do teu coração
Como pura música inspiradora
E usando a soberania reinante
Transforma as nuvens em suspiro
Permitindo ver o quão belo teu rosto
Numas linhas brancas de marfim
E na tua brancura faz saber
Que reinara para sempre 
Será meu Deus do amor
Pois me fez ver a verdade
Verdade de bela sensação
De olhar eternamente
Agora reconheço que és a luz
Que procurei desde sempre
Gosto desse olhar em sorriso
Qual jóias de elevado valor
Na medida certa tal beleza
És a perfeição construída
Pelo Deus desta vida!

H.N

De partida

Uma luz difusa
Um degrau desnivelado
Em que tropeço na vida
Sentimento inquinado 
Um supro de vento
Uma rua inclinada
Na qual rolou meu coração
Rua fora, nessa estrada
Num carro apressado 
Numa sensação de pesar 
Deixarei estes recantos
Para jamais voltar
Em rosas e cravos
São os jardins que decoram
Os lugares mais belos
Que agora me imploram
Que fique nesta rua
Que não abandone essa casa
Onde já foi um tudo
De alegria e desgraça 
Gritam por mim num suplício
Não abandones este lugar!
Mas eu preciso partir
Porque eu quero amar
Não quero ficar preso
As coisas tristes deste vilarejo
Onde passa sempre por um
Um mal que sempre revejo
E que me atormenta e persegue
Pelas ruas, pelas esquinas
E tentam acabar comigo
Essas almas assassinas!

H.N

Mundo cruel


O mundo está louco
A morte que persiste
Irmãos que matam irmãos
Nesta vida quem resiste
Não a compreensão
Para tanto mal encontrado
Morte, ódio e discriminação
Espalhado por todo lado
Pela cor ou religião
Morrem por tantos lugares
Jovens e velhos sem nome
Que criam lagos e mares
De sangue tão humana
Que nos torna tão iguais
Mas havemos de lutar
Como sentenças irreais
Chorram mães e filhos
Pela morte mutilados
Porque sua simples vida
Nunca foi segmento padronizado 
Porque a sociedade
Tem de criar um modelo
Tão irreal de si mesmo
Que ninguém consegue tê-lo
Não é compreensível
Tal tratamento afinal
Uns morrem pelo pensamento
Outros pelo material!

H.N

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Grandes obras de poesia cantadas: Desfado



Quer o destino que eu não creia no destino
E o meu fado é nem ter fado nenhum
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum

Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente

Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste

Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse no silêncio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro

Ai que desgraça esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande certeza de não estar certa de nada

Pedro da Silva Martins