domingo, 9 de novembro de 2014

Não perguntem!

Não me perguntem o porquê
Não me perguntem nada mais
Perguntem sim a razão
O que ela é capaz

Não perguntem mais a mim
Não me perguntem onde vou
Perguntem antes o fim
Ou na verdade aquilo que sou

Não perguntem o caminho
Não perguntem direcções
Perguntem antes ao sentido
Porque maltrata corações

Não me perguntem pela minha luz
Não me perguntem o longor
Perguntem onde ficou o sorriso
A quem entrego o amor

Não me perguntei pelo nome
Não me perguntei mais nada
Penso sentar-me aqui
E amanhecer com a madrugada.

H.N


sábado, 1 de novembro de 2014

Esperar



Esperar!
Esperar pela eternidade
Para quê?
Para sentir teu sentido completo
Num querer sem nome
Num olhar de alma
E entre pétalas de calma
Sentir-me disperso pelo infinito

Olhos nos olhos!
Brilhante e com sentido próprio
De quem olhou a imensidão
Numa mistura de tons e luz
Iluminação de amar!
Com olhos de água
E entre sentidos sem mágoa
Segue quem quer amar

Sonho e te vejo!
Acordo e sei que te encontrarei
Hoje? Amanhã?
Não sei!
Mas olharei para ti como hoje
E sentirei que na plenitude
Consegui guiar minha atitude
Para te conseguir encontrar.
Água, azul e rochedo.

H.N

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Perguntei por ti



Perguntei ao rio nascente por ti
Mas não respondeu, silêncio
Perguntei as pedras do chão
Se teus passos elas sentiram
Mas calaram novamente

Perguntei ao norte se é guia
Dos teus passos que te levam
Para longe, cada noite, cada dia
E que me afastam e negam

Cansei de perguntar por todo lado
Não me falam de ti, nem de nada
Só o silêncio ficou, só silêncio
Entre farrapos que os levam o vento
E nem um sinal de ti

Mas o vento que aparece de repente
Sussurra algo, murmura ao meu ouvido
Trazendo teu perfume no seu ventre
Mostrando-me que não estás perdido

Já tenho notícias de ti, sei onde vás
E te encontrarei pelo caminho
Para te mostrar que sou capaz
De transformar o medo em carinho.

H.N.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ela



Ela, que se move entre as sombras
Com seu andar leve sem sonoridade
A meia-luz seu semblante é secreto
E ninguém sabe quem ela é na verdade

É mistério sua forma de viver
Vestida de negro e cetim bordado
Cada dimensão da sua voz é passada
Num sentido de harmonia e saber

Seu cantar enquanto sentada espera o futuro
Embala a vontade de dançar em plena rua
E seu olhar profundo de mistério envolvido
Faz que com inveja esteja a mesma lua

Suas mãos pálidas e finas, de suavidade intensa
Seu sorriso rápido e subtil mostra-se sereno
Entre seu caminho tudo parece pequeno
Impedi-la de continuar é grande ofensa

Ela será obra de uma imaginação, de um sonho
Ou será a realidade da personificação angelical
Enquanto desaparece pode sentir-se o medo
De não voltar a sentir sua capacidade musical.


H.N.

domingo, 26 de outubro de 2014

Ambição



Ambição, faca de dois gumes
A poção que te mata lentamente
Ao combustível que impulsiona a criatividade
Num equilíbrio improvável e demente

Semente que cresce na alma
E alimenta ideias e objectivos
Mantendo na linha recta do final
Mantendo-nos plenamente vivos

Mas no descontrolo pode encontrar
Solo fértil para criar maldade
Sem limites nem regras que a limitem
Pode transformar em falso a verdade

Sem saber podemos cair
Na lama escura e sombria
Que usa qualquer meio para os fins
Sem seguir qualquer crença ou ideologia

Por isso controlar a ambição
É um objectivo primário a ter
Para poder usar sua força
Sem nela mesmo se perder.


H.N.

domingo, 14 de setembro de 2014

Sou

Sou insano, sou profano, talvez louco
Sou descrente, sou ausente na lonjura
Podendo ser o bem para amar alguém 
Sem temer em medos a desventura 

Não sou quem poderia ser
Não sou quem querem que seja
Não quem esta terra deseja
Mas sim o que ela precisa de ter

Não obedeço a regras, não sou comum
Não aceito rótulos nem modelos
Tento ser o equilíbrio, linha cinzenta
Extremos, não quero conhecê-los 

Entre o branco e o preto
Ao meio se esconde a virtude
Tentando evitar os males de quem se ilude
E não se apegando ao sentido obsoleto

Não quero ser mais um no mundo
Não quero ser a desigualdade 
Quero ter meu próprio brilho
Quero apenas ser eu na verdade.

H.N



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Amor sem dimensão


Amor, meu amor, nem a lonjura
Fará que desmereça este incêndio
Que me mantém em movimento
E faz que sempre chegue a ti

Amor, meu sentido querer
No seu poder sem dimensão
Qual relâmpago que cai
E desperta de novo o coração

És sorriso em meu rosto
És aconchego e porto seguro
Onde deixo cair meus medos
Onde posso chorar meus erros

Sentido amplo e compartilhado
Que não teme a lonjura
É banhado de companheirismo
E pitadas de leveza em loucura

Tão intenso, tão nosso
Quando os olhares se tocam
E revelas a luz ao mundo
Dando a conhecer nosso real amor.

H.N